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Inauguradas 2 novas obras em Gestaçô onde as pessoas voltam a ser valorizadas

O fim-de-semana de 13 e 14 de julho, foi muito especial para a freguesia de Gestaçô. Paulo Pereira, presidente da Câmara Municipal de Baião, e António Bento, autarca local, presidiriam à inauguração de 2 novas obras na freguesia e os Gestaçoenses fizeram questão de estar presentes.

As honras da casa foram abertas no sábado, às 16h, em Furacasas. Foi inaugurado o bonito Monumento ao Almocreve, uma infraestrutura que evoca e homenageia a profissão e a vida dos Almocreves, tão importantes, em tempos, no concelho de Baião. A inauguração decorreu junto ao Monumento, no centro de Furacasas.

A obra, uma pretensão muito antiga da população, nasceu no limite com a freguesia de Viariz, e o terreno onde foi implementado o monumento escultórico foi doado gratuitamente à Câmara Municipal por um particular.

O campo de ervas, aparentemente sem utilidade, que figurava naquele espaço está irreconhecível. São os próprios populares que o afirmam, elogiando a obra e destacando o “magnifico trabalho ali desenvolvido”. A obra não fica indiferente a ninguém e, além da homenagem que pretende transmitir, também já começa a ser uma importante zona de lazer. Os habitantes encontram-se ali para conversar, descansar ou desfrutar do espaço. Os trabalhos compreenderam a execução de um muro de suporte, a pavimentação do terreno a cubos de granito, o ajardinamento, a colocação de mobiliário urbano – mesas de madeira e uma papeleira – e do monumento escultórico em aço, recortado a laser, constituído pelas figuras do “Almocreve” e do “Burro”, acompanhados pela respetiva placa com a fundamentação histórica.

O lugar de Furacasas, em Gestaçô, a par com o Lugar de Avezudes, em Viariz, “reuniam na década de 50 perto de 70 almocreves”, de acordo com António Bento. Os almocreves eram pessoas que conduziam animais de carga e/ou mercadorias de uma terra para outra em Portugal, durante a Idade Média e até tempos bem recentes – meados do século XX. “A sua importância como dinamizadores económicos em Baião, um pouco por todo o concelho, é incontestável”, dá conta Paulo Pereira.

Numa época de comunicações limitadas, os almocreves eram indispensáveis ao abastecimento de bens para dentro e fora do concelho. De entre as rotas de abastecimento mais importantes, destaque para as que levavam os almocreves a transportar cereais cultivados em Baião para Mesão Frio, que depois eram vendidos ou trocados por bens de muita necessidade para a população.

Gestaçô era, à altura, o território que mais contribuía com impostos para o concelho, por meio do trabalho das dezenas de Almocreves que por cá viviam e também dos bengaleiros. Conto em Gestacô, atualmente, pelo menos dois destes Almocreves, ainda vivos, que contam histórias fabulosas destes tempos e que nos dizem muito sobre a forma como se vivia naquela altura. A homenagem ao Almocreve parece-me mais do que justa e a população está muito feliz ”, referiu António Bento.

Paulo Pereira corrobora da mesma opinião realçando o facto “do Almocreve fazer parte da história e identidade baionense. Preservar essas memórias, honrando-as, faz parte da nossa missão. A evocação à figura do Almocreve é uma forma de lhe reconhecermos a importância socio económica que teve numa altura em que as condições de vida eram muito duras”.

E complementa: “a sua importância foi de tal ordem que se manifestou, também, na preservação das tradições. Antes da madrugada aparecer, já o almocreve emparelhava os bichos e seguia o seu caminho”. O autarca falou, emocionado, durante a inauguração, lembrando o seu pai, já falecido, que também foi Almocreve. “Esta é também uma homenagem ao meu pai”, partilhou.

A inauguração contou com a bênção do pároco da freguesia, Jorge Coutinho, e com as presenças de vários técnicos do município, que acompanharam os trabalhos desde o início, o empreiteiro da obra, os doadores do terreno, e um dos últimos almocreves vivos que ainda reside no concelho de Baião, António Barros que, aliás, deixou uma inscrição para memória futura pregada ao monumento. Os bombos de Gestaçô – ADEPAGE animaram a tarde e não faltou a alegria habitual.

O mesmo feito repetiu-se, depois, no domingo, noutro lado da freguesia e, sob a orientação e bênção do Padre Jorge Coutinho de novo, os populares assistiram, às 17h30, à inauguração do arranjo exterior junto da Capela de Nossa Senhora da Graça, a Praceta Padre Ramos e Padre Augusto, junto à Rua Nossa Senhora da Graça, junto à capela da mesma invocação. A obra vem trazer outra dinâmica às imediações da Capela, respeitando a sua simbologia e acolhendo com mais conforto e segurança todos os que ali se deslocam.

O pároco da freguesia, Padre Jorge Coutinho, que participou e esteve sempre envolvido nesta obra, destacou a qualidade do projeto e dos trabalhos. Lembrou a memória dos Padres José Ramos e António Augusto que ali exerceram o sacerdócio durante anos e muito fizeram pelo desenvolvimento social do concelho, e a homenagem que lhes é feita com a conclusão da obra.

O projeto remodelou um espaço que sempre foi da capela e para as pessoas, mas que agora é mais fácil de usar e se apresenta com outras comodidades, exemplo disso são os sanitários que ali foram construídos ou a preservação do fontanário antigo que ainda hoje é usado. A reabilitação de um espaço amplo junto aos sanitários vai permitir acolher diversas atividades, quer sejam de âmbito religioso e/ou outro. Como afirmou Paulo Pereira, “o espaço é das pessoas e foi trabalhado para que o continue a ser. Foi desenhado para as valorizar”.

António Bento, visivelmente emocionado por ver mais duas obras inauguradas na sua freguesia agradeceu a todos e prometeu empenho na realização de mais projetos para a comunidade. Antes dos Bombos de Gestaçô começarem a sua atuação ainda houve tempo para Paulo Pereira garantir o empenho do executivo municipal no cumprimento dos compromissos que assumiu com a população lembrando que há obras a decorrer em todo o território, que valorizam as pessoas, o espaço público e que enriquecem os atrativos do concelho.

 

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