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MOSTEIRO DE ANCEDE RECEBE APOIO DE FUNDOS COMUNITÁRIOS

2010/07/15

O presidente da Câmara Municipal de Baião, José Luís Carneiro assinou hoje, na Fundação de Serralves, o contrato de financiamento para o "Projecto de Conservação e Restauro do Complexo Arquitectónico do Mosteiro de Ancede( 2ª fase)", no âmbito o ON2  - O Novo Norte (Programa Operacional Regional do Norte). Este contrato garante um financiamento de 353 mil euros ao projecto. A autarquia irá suportar os restantes 20 por cento de investimento.

E a esta obra, já em fase de execução, junta-se o valor de 321 mil euros aplicado no Mosteiro nos últimos quatro anos. O projecto contempla a remoção e limpeza da vegetação arbustiva, a consolidação estrutural das paredes e a demolição de paredes e pavimentos de madeira que se encontrem degradados, nas alas Poente, Sul e Nascente, bem como na Cozinha.

A  intervenção tem como base um estudo realizado pelo Departamento de Engenharia Civil da Universidade do Minho, que referia o estado avançado de degradação generalizada do edifício e apontava soluções para corrigir a situação. A empreitada, da responsabilidade da Câmara de Baião, pretende, assim, garantir o restauro das ruínas, que inclusivamente poderá tornar estas alas visitáveis, ao contrário do que acontece actualmente.

Paralelamente foi assinado um contrato conjunto da autarquia e da paróquia de Ancede com vista à recuperação e  restauro da Capela de Nossa Senhora do Bom Despacho. Aqui a intervenção prevê essencialmente a recuperação da Capela, dado que esta apresenta graves problemas de conservação. Trata-se de um exemplar datado de 1731 e que oferece uma rara beleza arquitectónica,  por apresentar uma planta de desenho octogonal. Em cada um dos lados encontram-se seis capelas, onde estão inseridos outros tantos retábulos com episódios da Vida de Cristo.

A Câmara Municipal investiu, nos últimos quatro anos, 124 mil euros no equipamento do Centro Interpretativo da Vinha e do Vinho; 127 mil euros na valorização da zona da Eira e do Beiral e 70 mil euros na aquisição de painéis para o percurso pedonal.

 

UM PATRIMÓNIO VALIOSO

As origens do Mosteiro de Santo André de Ancede remontam ao século XII, e a mais antiga referência conhecida, de 1120, é respeitante à sua ligação aos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho. Durante vários séculos este mosteiro deteve um considerável património fundiário ligado à produção vinícola, que lhe permitiu beneficiar de grande poder económico. Todavia, em meados do século XVI, pouco restava já dessa época áurea e o mosteiro entrou num período de decadência, com as dependências degradadas e um número muito reduzido de religiosos. Em 1560 passou a depender de São Domingos de Lisboa e, a partir de então, foram executadas várias campanhas de obras com o objectivo de recuperar o conjunto arquitectónico.
A igreja foi reedificada, desenvolvendo-se, então, em três naves separadas por arcaria de volta perfeita, com tecto de madeira. Um amplo arco triunfal, com dois altares colaterais, articula este espaço com o da capela-mor, onde ganha especial importância o retábulo-mor, em talha dourada com tribuna de grandes dimensões. Contemporâneos deste retábulo, de estilo nacional, são certamente as sanefas que se encontram sobre as janelas e o arco triunfal.
A fachada principal, em cantaria, que corresponde à lateral da nave, apresenta portal de verga recta encimado por nicho de frontão triangular.
Com a Extinção das Ordens Religiosas o mosteiro foi vendido em hasta pública, ficando na posse do Visconde de Vilarinho de São Romão. A capela e a igreja passaram, em 1932, para a paróquia de Ancede. Actualmente, e desde 1985, o mosteiro é pertença da Câmara Municipal de Baião.

 

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